Casa do Vapor

© Imagerie - Casa de Imagens

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Apanhado o barco de manhã, o vento fresco do Tejo trazia promessa de descoberta. O rio seria nesse dia uma fronteira entre a Lisboa familiar e uma terra nova, e ainda que conhecêssemos o seu nome, profundamente inimaginada. Depois de atracados na Trafaria, começa a caminhada, que a cada passo trazia maior a vontade de descortinar essa sensação de novidade que se desenrolava pelo caminho – barcos no rio e em terra, ruínas, silos, matas, máquinas, gaivotas… Enfim, chegámos. “Bem-vindos à Cova do Vapor”.
Da completa novidade do local emerge a sensação de estar em casa, de se estar a pisar terreno familiar, a mesma sensação que se tem quando se vai às aldeias dos nossos pais. Das ruas tortas e estreitas, à cacofonia perfeita dos azulejos e dos cabos, dos curiosos nomes de ruas e moradias aos gatos pachorrentos, tudo nesta terra soa a boas-vindas, a algo verdadeiro, profundo, familiar e genuíno.
No fim do caminho, já com o mar e o Bugio à vista, chegámos enfim à Casa do Vapor. A sua construção espelha em si o mesmo espírito de comunidade do qual se ergueu a terra que a acolhe, que a transportou para lá do naufrágio certo para costas seguras, e que se viveu e vive a cada instante. Assim foi erguida esta casa de madeira, assim foi também vivida. Os seus “habitantes” – criadores, trabalhadores, vizinhos, voluntários, visitantes – todos se movem com a segurança de quem está em sua casa, e isso faz-nos também a nós sentir que estamos em família.
A experiência de conhecer e fotografar a Casa do Vapor foi como um amor de verão: com fim marcado e o outono à vista – o desmantelamento da Casa, ainda que parcial, começou na semana seguinte. Não teríamos tempo para lhe fazer devidamente a corte, nem a Casa se fez difícil à sua descoberta. Como qualquer paixão condenada, foi vivida então com tanto mais fervor: cada olhar, cada sensação, cada som, cada passo foi sendo gravado em rolos de filme que se consumiam à mesma velocidade desse romance. Foi uma reportagem-paixão-relâmpago, que mostra na sua “incompletude”, a força do sentimento com que foi feita.
Casa do Vapor deixará sem dúvida profundas marcas na Cova que é a sua casa, como deixou em nós e no nosso olhar a vontade de voltar, que os amores de verão podem ser curtos, mas não se esquecem.
Obrigada Amalia Buisson, obrigada Casa do Vapor.

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